ENTRE RINHAS

DANIEL BELION Artista Plástico, músico, guia de turismo, técnico em Marketing Cultural e Produção de Eventos ESPM/RJ e graduando em Artes Plásticas do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Fria e calculista, dentre sangues e controladas emoções. É preciso sangue quente, e quem não o tem? Ler Ana Paula Maia me colocou em contato com diversas histórias e autores que durante a minha vida me ‘chocaram’, pois há muita vida e seu oposto, em “Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos”.

Fui lendo e lembrando histórias que eu lera a uns 5, 10 ou 15 anos atrás, não pela semelhança, mas pelo ‘sabor’. Como em uma revolução interna dos bichos humanos, em alguns momentos eu me perguntava se não seria eu mesmo um porco, um ‘porco humano’ ou um ‘humano porco’, presentes na consagrada obra de Orwell. Não que o tema, a forma de escrita ou algo a mais se relacione com os livros que eu já lera, não, apenas o mesmo sentimento, de ser tocado pela escrita ou pela famosa vontade de não parar de ler até se

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findar a história. Meus pensamentos passaram pela caverna e pelos cegos de Saramago ou pelos infernos provisórios de Ruffato, e não sei muito bem porque chegaram ao Caçador de Pipas Hosseini.
Tendo eu hoje 33 anos, me senti como se tivesse matado a cada ano um porco de vida, um pouco de vida e fosse também um recordista vencedor de eu mesmo. Que se esvai entre as mãos de amigos. Aqueles os quais nos impulsionam a procurar neve ao sul quem sabe proporcionando uma volta ao mundo com Julio.
O cabo do facão, do tamanho exato da mão, me remeteu a uma outra situação, machadiana, onde, como a certeza da vida, onde não se pode esperar o certo, além daquele a que se aspira, ou daquele que se respira (quem sabe o que se espirra) e:
“Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.”
Por isso, entre rinhas... Excelente leitura, fez-me parar no meio do livro para fazer esta escritura. Ainda falta a aventura da segunda parte do livro, que sei que clama em me esperar.
O que escrevi aqui, é apenas o que eu senti, não está no livro, tampouco nas palavras proferidas pela autora em um programa de entrevistas na TV.
Mas exatamente por isso, a profusão de sentimentos e de idéias pelas quais Ana me fez passar, lembrar de livros, passagens, idéias e coisas da minha vida que aqui nem posso contar. Uma verdadeira e ousada produção artística.

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Já li um pouco mais agora; um cão no compactador de lixo, acidentes inesperados, eu também já não escuto muito bem, delícia de promoção, mas no calor melhor não, talvez seja melhor assim, dor de dente nem pensar, parem o mundo que eu quero saltar, mas enfim, sei lá, melhor continuar... lendo o livro. Muito Bom Ana!!!

Recebido: 20/07/2009

Aceito: 10/08/2009


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