PARA CRIAR O SITE RADIOFORUM, EM BUSCA DE UM RÁDIO INVENTIVO... (1)

MAURO SÁ REGO COSTA Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense / UERJ; Coordenador da Oficina Híbridos – Mídia e Arte Contemporânea - do LABORE – Laboratório de Estudos Contemporâneos - UERJ; Coordenador do Laboratório de Rádio UERJ/Baixada. Professor do Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação / FEBF/UERJ
e-mail: maurosarego@gmail.com

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Resumo:
Discussão do projeto e conteúdo de um site para a divulgação de gêneros radiofônicos pouco ouvidos em nosso dial, como radiodrama e radioarte, além das formas de design sonoro que também não contam com outros meios de divulgação – design sonoro para dança, performances, vídeos e cinema, arquiteturas e esculturas sonoras, etc.... Após a apresentação da comunicação, o site será mostrado em operação.
Palavras-chave: Radioforum, um site de rádio; outras formas de radio; diferentes formas de sound design.

 

Corpo do trabalho

A idéia de criar um site de rádio e sound design, surgiu durante o Radioforum, evento organizado em Londrina em setembro de 2008, por Janete El Haouli, juntando um grupo de produtores de rádio, teóricos e radioartistas de vários cantos do Brasil, além de Harri Huhtamaki, da Yleisradio de Helsinki, Finlândia; do compositor curitibano/berlinense

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Chico Mello e Vera Terra, compositora, musicóloga, estudiosa e melhor intérprete brasileira da obra de John Cage.
Durante o surto do evento – cinco dias de programação, debates, oficinas e apresentações  de manhã, tarde e noite – brotou esse motif. A questão era, por que não temos um rádio que provoque, perturbe e faça pensar, apesar de tanta gente capaz de produzi-lo, como aquele grupo que estava reunido ali.
Para que serve o rádio hoje? Como anda ou não anda o tráfego, temperatura, vai chover ou fazer sol, hora certa, som (qualquer som, mas sempre sem muita invenção), notícias de última hora – aliás, as rádios jornalísticas são as melhores e mais bem feitas que surgiram ultimamente.  Perguntamos se alguém liga o rádio para alguma outra coisa.

Quem quer outra coisa vai procurar... áudio, rádio, noutro lugar. Por exemplo... na internet. Nessa linha Magaly Prado criou sua nooradio(2), Roberto d’Ugo, o musicadiscreta(3); Zeca MCA,  a Rádio Boomshot(4)... . A nooradio mostra, pensa e discute outras coisas de rádio e disponibiliza audiocasts (termo que Magaly  inventou pra não ficar fazendo propaganda da Apple, de graça). Roberto d’Ugo, radiomaníaco como nós, excluído da Radio Cultura onde produzia programas de música contemporânea, criou sua própria rádio na net, musicadiscreta, onde continua fazendo excelentes programas sobre música, acontecimentos e personagens da música contemporânea, rockeira, jazzy ou erudita além de passeios etnomusicais. Zeca MCA adora hip hop; não é rapper nem DJ, mas freqüenta a cena do hip hop em São Paulo e arredores, conhece todo mundo, curte demais isso. Então inventou a  RadioBoomShot, e toda sexta-feira faz um programa ao vivo  e põe no ar uma mixtape de seu entrevistado --- os programas e mixtapes ficam na página para download.

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Mais exemplos? Se você entende inglês e quer ouvir uma rádio politicamente impensável em nossas plagas, hoje, experimente a Radio Pacifica, uma rádio comunitária de Nova York(5), fundada por anarquistas/pacifistas em 1948. Serve igualmente para pensar o que pode ser isso: “radio comunitária”. A Rádio Pacifica (financiada por seus ouvintes) são cinco rádios –  em Nova York, Washington, Houston, San Francisco e Los Angeles – e retransmite, eventualmente, para mais de cinqüenta rádios, cobrindo todo o país.  Aí você  pode ouvir um noticiário sobre America Latina, produzido por Mario Murillo, colombiano e professor da NYU, reportado por colaboradores, jornalistas, professores universitários, todos voluntários, das capitais e principais cidades da America Latina, sem uma só linha das agencias de noticias (sextas pela manhã, veja o horário no site); um programa sobre movimentos sociais em comunidades de qualquer parte do mundo, principalmente o Terceiro, que se articulam a movimentos comunitários de NY, na linha da luta pela globalização contra-hegemônica – Global Movements Urban Struggles - , terças de 10hs as 11hs (hor.NY); ou um programa mensal direto de Havana  - Cuba in Focus - toda última segunda feira do mês, as 17h30 (hor. NY).

Continuando na linha musical, há o programa Beats in Space(6) do Dj Tim Sweeney, que vai ao ar semanalmente na rádio (universitária) da NYU, às terças de 22h30 a uma da manhã (hor. NY)(7), mas que pode ser baixado ou ouvido em stream em seu site. O programa toca musica eletrônica dançante, hip-hop, funk, disco, house, techno e outros sons do underground. Sweeney sempre convida um DJ estrangeiro, japoneses, ingleses, holandeses, suecos, brasileiros... que tenham vindo tocar em Nova York, assim como programa sets/dj´s de lugares onde ele mesmo foi DJ convidado, como fez com os DJ´s Diogo Reis e Eduardo

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Cristoph, da festa Moo, no Rio, no programa de 29 de abril de 2008. O site da B.I.S disponibilizava 471 programas, em 9 de junho passado quando o acessei.
Se a tua praia é outra, você pode baixar, sem custo, peças da maioria dos compositores brasileiros contemporâneos no site da Biblioteca Musical Digital do LaMuT - Laboratório de Música e Tecnologia - da Escola de Música da UFRJ(8)- músicas 'experimentais', acusmáticas, mistas, 'live', auxiliadas-por-computador, algorítmicas, música-vídeo, multimídia, intermídia, músicas instrumentais com vetores experimentais, poesia, etc. – como explica o cabeçalho do site. Coordenado pelo professor e compositor Rodolfo Caesar, sussurro é a maior e mais original biblioteca musical com acesso livre (sonoro) no Brasil, além de disponibilizar textos, artigos, programas de rádio sobre a música concreta, acusmática e eletroacústica.
A garotada, cada vez mais, faz sua própria programação musical, “baixando” as músicas que quer dos muitos sites de compartilhamento (lícitos ou ilícitos) de  arquivos sonoros, para gravar nos seus i-pods ou fazer seus cd’s caseiros. Em alguns universos,  como o do Hip-hop, por exemplo, a maior parte da produção musical circula pelas redes, nacionais e globais, sem que nada chegue a virar disco, independente da indústria fonográfica como das próprias rádios, criando circuitos culturais e econômicos paralelos. Além da busca livre na internet, há muitos sites com arquivos de mixtapes, seleções produzidas por dj’s e videoclips, como o bocadaforte, a radio boomshot, o http:// sopedrada.blogspot.com ou o www.rapnacional.com.br
Para que mais um?

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A questão é que mesmo com a variedade  que comecei a enumerar, mesmo com o myspace(9), onde qualquer músico, grupo, compositor, pode postar suas obras, ainda  sentimos necessidade  de um site em que:

  1. se possa acessar outras criações sonoras que não são veiculadas em discos, e nem tem seus canais específicos na internet – assim como sound designs para dança, para filmes e vídeos, para teatro e performances, para videogames; o som e imagem de esculturas sonoras e arquiteturas sonoras;
  2. se possa acessar gêneros radiofônicos que não tem espaço de veiculação no Brasil mas que são produzidos por radioartistas brasileiros, e estrangeiros que tem interesse em divulgar suas produções aqui, como programas de radioarte, de radiodrama (na linha do neue hörspiel alemão),  documentários sonoros (features), paisagens sonoras ou a poesia sonora.
  3. se possa acessar as discussões e a produção teórica sobre estes gêneros radiofônicos e de sounddesign, área igualmente deserta em nossos sites, revistas acadêmicas ou livrarias.

  Por isso, o Radioforum, em busca de um radio inventivo.

Som de cinema... pelo menos, o que nos interessa, há muito tempo deixou de ser “trilha sonora”, musica e som para acompanhar o que a imagem mostra. Godard nos ensinou que o filme são duas trilhas, uma de imagem, outra de som. E que cada uma conta uma história(10). Wim Wenders é outro mestre nos movimentos ruídos-sons-música-palavras que tem vida própria. Ver “Para além das nuvens”, roteiro de Antonioni, que acompanhou as filmagens, já cego; ou “O Céu sobre Lisboa”, cujo personagem principal é um engenheiro de som, gravando os soundscapes de Lisboa (“Eu costumava dizer que minha profissão era fazer imagens, e isto é verdade  dos meus primeiros filmes. Eu filmava, e

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cortava e editava, e cortava de novo e editava de novo e depois de uns dois meses, a edição final ficava pronta em três dias. Hoje é diferente. Corto as imagens em duas semanas e me tranco com o som por mais seis meses. Estou me tornando mais um cineasta do som que da imagem...”).(11) Pensar e produzir de outro modo as relações de som-ruído-diálogos-música no cinema é igualmente o que ouvimos de David Tygel, um dos nossos melhores sounddesigners para cinema (ultimamente trabalhando também com videogames), e que está conosco no radioforum.

Lilian Zaremba, que também faz parte do Radioforum, vem mexendo com a fronteira entre as artes plásticas e a música. Fala Lilian Zaremba:(12) “Comecei a pensar em outras possibilidades para transmissão radiofônica à partir de 1997 quando descobri, em minhas pesquisas para o mestrado, mais do que já sabia existir: partindo dos rádios documentários contrapontísticos de Glenn Gould, passando pelas propostas de rádio de John Cage, performances e transmissões formalizadas pelo evento canadense Rádio Rethink, lendo e ouvindo programas da emissora Kunstradio, entrando em contato com produtores brasileiros como Regina Porto, Cynthia Gusmão e Roberto D’Ugo, acabei enveredando pelo que Marshall MacLuhan preconizou sobre as iluminuras, ou seja, assim como o rádio: “não acabaram, se tornaram objetos de arte” . Penso que antes de determinar o “fim do rádio” é necessário considerar as muitas formas de se entender e fazer rádio no século 21, entre elas, as que não dependem de uma emissora, um canal alocado num dial. Desta forma, a exploração de idéias de rádio torna-se efetivo caminho na busca por evolução nesta linguagem da comunicação, podendo ser exposta num espaço como Galeria de Arte, na internet, bares,  áreas urbanas ao ar livre, campus universitários ...ou uma instituição pública, como o Museu de Arte Contemporânea – MAC, em Niterói.  A

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exposição “O que eu faço é Rádio!”, realizada ali durante o mês de setembro de 2006, reuniu trabalhos como o “Telembaum” do artista paulista Paulo Nenflidio voltado a explorar a utilização de objetos para transmissão de mensagens por código Morse ou ondas eletromagnéticas. Mais recentemente, a exposição Arte e Música montada em galerias da Caixa Cultural em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, curada por Luiza Duarte e Marisa Florido reuniu uma série de propostas onde o rádio se fez ouvir em paisagens sonoras dos artistas Paulo Vivacqua, ou no Chuveiro Sonoro do artista Romano (que reuniu uma série de vozes de “cantores de chuveiro” associados a emissões de programas de rádio) ou na instalação Rádio Rasgo de Luz, que montei utilizando um velho aparelho de rádio valvulado e vários MP4 , o novo “radinho de pilha” questionando essas muitas “caixas de rádio”, clausuras não apenas do rádio mas das próprias idéias que dele podemos extrair. Não chega a ser novidade se lembrarmos o trabalho na confluência do plástico e sonoro desenvolvido pelo músico suíço-baiano Walter Smetak, entre os anos 60 e 70, resultando em objetos classificados como “plásticas sonoras”, merecendo em 2008 exposição especial  montada no Museu de Arte Moderna da Bahia e São Paulo, onde realizei um rádio documentário sobre o trabalho(13)”. 

O universo da Dança Contemporânea, principalmente com os novos coreógrafos do Rio de Janeiro, abriu outros espaços para essa articulação Música/Dança, que tem momentos exemplares como uma peça de John Cage para coreografia de Cunningham, em que compositor, coreografo e bailarinos só ouviram-e-viram suas “trilhas”, pela primeira vez, na hora da estréia(14)  (Godard devia saber disso!!!???). Compositor carioca, Tato Taborda tem produzido especialmente para Dança, e se encarregará de administrar a página do Radioforum para Sound design Dança.

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Quando pensamos nos outros gêneros radiofônicos é bom lembrar que Julio de Paula  – outro que nos acompanha na organização do radioforum – tem espaço para a produção de seus documentários sonoros numa de nossas poucas rádios “culturais” - “Veredas”, na Rádio Cultura FM, São Paulo - . Mas o universo dos documentários sonoros (ou features, na leitura anglo-americana) tem um amplo espectro na produção de rádios educativas e culturais pelo resto do mundo. Nossa referencia mais recente foi com a obra de Harri Huhtamaki, que há vinte e oito anos mantém seu “RadioAtelier”, na YleisRadio de Helsinque. Muitos dos features de Huhtamaki, que ouvimos, são um gênero fronteiriço entre o documentário sonoro e a radioarte ou o radiodrama, como o Calewalayana (changes in the ecology of the mind) inspirado no épico fundador da nacionalidade finlandesa – o Kalevala –.
O programa começa questionando explicitamente sua “classificação”: “este é um documentário / das mudanças nos estados d’alma / da história da música / da história dos pensamentos e sentimentos dos músicos / de nossas maneiras de interpretar o épico nacional finlandês / o Kalevala, de onde vem seu versos cantados / da identidade finlandesa / da quebra de fronteiras, da nostalgia, da dor / do mau gosto e do amor por programas / que exigem ambos os ouvidos e / uma mente aberta e relaxada/”(15)

Ou Amazon , em que ele reproduziu a paisagem sonora “imaginada” da floresta amazônica sem sair de sua casa e de seu estúdio, usando como material “documental” “real” apenas dois discos com gravações dos pássaros da Amazônia.  “Uma mistura de sons, música,  presença humana,  com textura composta pelo músico ‘Baron’  Paakkunainen”(16).

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Radioarte é outro gênero, que sobrevive basicamente de encomendas por algumas poucas rádios culturais, como foi o caso de Janete el Haouli,  convidada pela WDR - (Westdeutscher Rundfunk, de Colônia, Alemanha) - para realizar o projeto Stratosound - um retrato acústico do pesquisador e performer da voz Demetrio Stratos; e em 1999, pela  DeutschlandRadio, de Berlin,  para desenvolver a obra Brasil Universo  em parceria com Hermeto Pascoal, com a co-produção da WDR. Assim também Regina Porto, produtora por 11 anos na Radio Cultura FM de São Paulo e comissionada pela WDR, em 2002, para produzir a peça Metrópole - São Paulo, um retrato acústico da cidade de São Paulo.(17)
Continua Lilian Zaremba: “ Observamos a tendência um tanto recente em se incluir o rádio como arte em diferentes pontos: seja em centros como o Oi Futuro (no evento Oi da Rádio) ou em feiras e eventos como a Bienal do Mercosul que em sua sétima edição no ano de 2009 reservou espaço para uma emissora radiofônica denominada RádioVisual. Segundo sua principal curadora, a artista plástica Lenora de Barros esta emissora pretende ser “...experimental, se propondo ao desafio de excitar freqüências em formas abertas (...) irradiando novos sentidos e sonoridades”.(18)

Outro genero radiofonico raro e específico – radiodrama -  diferente do teatro adaptado para o rádio – peças integrando palavras, sons, ruídos, música, numa narrativa específica para o rádio. É desenvolvida a partir dos anos 50 e 60 por Samuel Becket (dramaturgo e músico) e pela tradição alemã do Neue Horspiel. Como coloca Maurício Klagel, compositor argentino radicado na Alemanha, e que dedicou várias obras ao gênero:

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"O Novo Hörspiel não é um gênero literário ou musical, mas meramente um gênero acústico de conteúdos indeterminados."(19)

Consideramos importante, igualmente, disponibilizar, seguindo o sussurro, do LaMuT (EM/UFRJ), a produção musical menos fonografada industrialmente no país e que não tem por que ficar escondida nos computadores de seus compositores. Como nos diz Rodolfo Caesar; “Acho que as músicas que estamos armazenando e veiculando no sussurro representam, o mais das vezes, a música que um dia resolveu sair de seu berço – o rádio – para freqüentar as salas de concerto, o que representou um custo e uma perda muito grande para essas músicas, chamadas eletroacústicas. Vou tentar explicar: em 1948,  Pierre Schaeffer, na ex-ORTF (Office de Radiodiffusion et Télévision Française) inventou e radiodifundiu a musique concrète, música esta que é origem de grande parte da produção exposta no sussurro. Schaeffer era um homem tão interessante quanto contraditório. Sua musique concrète (mc) pretendia dar continuidade a uma ‘evolução da música’, mas reagindo contra a vanguarda daquela época: o serialismo. Para entrar nesse combate mais frontalmente, Schaeffer empreendeu a perigosa manobra que talvez tenha custado tempo de vida de sua criação acusmática(20): levou a mc para os salões de concerto. Ou seja, desdenhou da adequação entre o acusmatismo da mc e do veículo radiofônico - que lhe havia permitido ser escutado por milhares de pessoas, gratuitamente e sem queixumes - para se lançar no espaço novecentista da sala de concerto.   (...) Na Alemanha o estúdio na rádio de Colônia inventava a elektronische Musik (eM), com ainda maior empenho para o mergulho passadista, por atuar no refinamento do serialismo combatido por Schaeffer, uma discussão não do âmbito do rádio, mas no da música, mais propriamente de músicas

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fundamentadas em uma percepção hanslickiana, séc. XIX. Foi nesse terreno des-antenado que o estúdio de Paris e o de Colônia se combateram, tendo o de Paris perdido a luta exatamente por conta e no momento de ter aceito o desafio. Se Schaeffer pensasse a mc como algo a ser proposto sem diálogo com o ‘mundo da música’, ela talvez ainda estivesse em 'nossos' rádios. Duvido que isso tivesse repercussão nas rádio brasileiras de então, vista a tradição de subserviência política de nossas emissoras (...)”(21)
 Então é com estes “conteúdos”, pouco comuns na radiofonia brasileira que pretendemos encher nosso radioforum. O grupo que está na origem do projeto, além de mim, Mauro Sá Rego Costa,  inclui, Janete El Haouli, Lilian Zaremba, Rodolfo Caesar e Julio de Paula. Na esteira da organização do fórum, foram convidados, e colaboram conosco Cecilia Conde, do Conservatório Brasileiro de Música, assim como os compositores Tato Taborda (cuidando do sounddesign Dança) e David Tygel (sounddesign Cinema), por enquanto.
E é isso que gostaríamos de apresentar a vocês agora, abrindo o site do radioforum cujo endereço é http://www.radioforum.zt2.net/

 

NOTAS:

(1) Trabalho apresentado no GP Rádio e Mídia Sonora, IX Encontro dos Grupos/Núcleos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

(2) www.nooradio.com.br

(3) musicadiscreta.blog.uol.com.br; http://feeds.podcast1.com.br/musica_discreta.xml

(4) http://radioboomshot.uol.com.br/

(5) http://www.wbai.org/

(6) http://www.beatsinspace.net/playlists.html

(7) http://wnyu.org/

(8) http://sussurro.musica.ufrj.br/


(9) http://www.myspace.com

(10) GODARD, Jean-Luc. Introdução a uma verdadeira história do cinema. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

(11) Trecho de uma conversa telefônica entre Wim Wenders, Bono e Brian Eno, publicada em  Cinema Sounds Magazine , 1993.

(12) Depoimento de Lilian Zaremba para o autor (junho, 2009).

(13) Smetak Imprevisto – rádio documentário em quatro partes roteirizado e produzido por Lilian Zaremba,  para o MAM, São Paulo e transmitido pela Rádio Cultura Brasil AM em quatro sábados de novembro e dezembro de 2008.

(14) Gil, José. Movimento Total. O Corpo e a Dança. Relógio d’Água, Lisboa, 2001, 48; Cage, John. Silence. Wesleyan University Press, 1973, 94.

(15) Do roteiro de Kalevalayana, radio documentary,  de TeppoHauta-aho, Harri Huhtamäki, Pekka Lappi, Seppo Paakkunainen e Pekka Ruohoranta, Yle radio.

(16) V. referencia em http://www.abc.net.au/classic/daily/stories/s629927.htm (em26 jun 2009)

(17) Janete El Haouli,  Rádio Arte no Brasil 1, in  www.guiadamusica.org -http://www.guiadamusica.org/conteudo/reflexoes/reflexoes.php?id_reflexao=3 em 25 jun 2009.  

(18) Saiba mais em www.bienalmercosul.art.br

(19) PORTO, Regina. “A Poética do Som: utopia e constelações”. Polêmica (Labore/UERJ) n.6, julho/agosto/setembro 2002.

(20) “Acusmática” é uma denominação criada por Pierre Schaeffer – inspirada no conceito pitagórico dos acusmáticos, os discípulos que apenas ouvem o mestre sem vê-lo, nem poder fazer perguntas -  para a música/som  que se ouve sem  que se veja sua fonte de produção – músicos, instrumentos, etc... – como na música concreta, sempre apresentada a partir de uma gravação, ou a música ouvida no rádio. V. SCHAEFFER, Tratado de los objetos musicales, Madrid, 1988, p.56.

(21) Depoimento de Rodolfo Caesar ao autor (junho, 2009).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GODARD, Jean-Luc. Introdução a uma verdadeira história do cinema. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
GIL, José. Movimento Total. O Corpo e a Dança.  Lisboa: Relógio d’Água, 2001.
CAGE, John. Silence. Lectures and Writings by John Cage. Middletown, CT: Wesleyan University Press, 1973.
SCHAEFFER, Pierre. Tratado de los objetos musicales: ensayo interdisciplinar. Madrid: Alianza, 1988. [version abreviada].
Periódicos:
Cinema Sounds Magazine , 1993. Trecho de uma conversa telefônica entre Wim Wenders, Bono e Brian Eno.
PORTO, Regina. “A Poética do Som: utopia e constelações”. Polêmica (Labore/UERJ) n.6, julho/agosto/setembro 2002.
EL HAOULI, Janete,  “Rádio Arte no Brasil1”, in  www.guiadamusica.org
Documentos:
Roteiro de Kalevalayana, radio documentary, de TeppoHauta-aho, Harri Huhtamäki, Pekka Lappi, Seppo Paakkunainen e Pekka Ruohoranta, Yle radio.

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Sites:
www.nooradio.com.br
musicadiscreta.blog.uol.com.br ; http://feeds.podcast1.com.br/musica_discreta.xml
http://radioboomshot.uol.com.br/
(Radio Pacifica – New York) http://www.wbai.org/
http://www.beatsinspace.net/playlists.html
(Rádio da New York University) http://wnyu.org/
http://sussurro.musica.ufrj.br/
http://www.myspace.com
http://www.guiadamusica.org/conteudo/reflexoes/reflexoes.php?id_reflexao=3
www.bienalmercosul.art.br
http://www.radioforum.zt2.net

 

Recebido: 24/09/2009
Aceito: 27/10/2009


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