A Importância do Autoconceito Como Elemento Diagnóstico
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Resumo: A autora aborda aspectos relativos à saúde mental e, mais especificamente, ao desenvolvimento da personalidade utilizando-se de um referencial psicanalítico, destacando a construção do autoconceito e apresenta considerações acerca das relações deste com a auto-estima e suas conseqüências sobre o desempenho escolar.
Palavras-chave: Autoconceito; Desenvolvimento Psicológico; Desempenho escolar; Psicanálise de Crianças; Saúde Mental.
THE IMPORTANCE OF THE SELF-CONCEPT AS A DIAGNOSTIC ELEMENT
Abstract: The author approaches aspects related to mental health, more specifically, to the development of the personality using psychoanalytic concepts, focusing on the construction of the self-concept and presents considerations concerning the relations of the self-esteem and its consequences on the school performance.
Keywords: Self-Concept; Psychological Development; School Performance; Psychoanalysis of Children; Mental health.
Numa breve revisão da literatura observa-se que o estudo do autoconceito, além de atual, tem mobilizado diferentes pesquisas empíricas dentro da psicologia. De maneira geral, a idéia de autoconceito parece expressar a percepção consciente, multidimensional, que um indivíduo tem de si. Muitos dos estudos a respeito do autoconceito focalizam as influências deste sobre indivíduos a partir da idade escolar e os instrumentos de avaliação tem permitido a mensuração e compreenção das relações do autoconceito com situações relativas à aprendizagem escolar (desempenho, dificuldades em áreas específicas e
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fracasso); problemas de comportamento em escolares; questões de saúde relacionadas à imagem corporal e obesidade em crianças e adolescentes.
O autoconceito, entretanto é construído ao longo de anos e parece ser um dos elementos conscientes, dentre outros tantos, relacionados à estrutura egóica e à formação da identidade.
Sabe-se que a identidade é fruto de experiências pessoais e interpessoais, prioritariamente com as figuras parentais e que se iniciam ao nascimento.
Estudos psicanalíticos têm fundamentado a idéia de que no primeiro ano de vida a criança desenvolve as bases para a formação de sua identidade e capacidade de discriminação EU/NÃO-EU. Destaca-se, nessa linha de pesquisa, que a criança ao desenvolver a noção de EU, desenvolve também o narcisismo primário (‘eu me amo’, ‘eu sou amado’). Estabelecem-se, assim, os rudimentos da personalidade que estão atrelados ao desenvolvimento do EGO.
É importante lembrar, que, o autoconceito não é estático, algo que uma vez desenvolvido seja imutável.
Nesse estádio do desenvolvimento, de formacão dos alicerces do desenvolvimento da personalidade, as percepções são globais (gostar ou não de si por inteiro) e não há lugar para as particularidades e especificidades, que, por serem mais refinadas, ocorrerão nos anos seguintes.
É importante lembrar, que, o autoconceito não é estático, algo que uma vez desenvolvido seja imutável. Ele relaciona-se diretamente com a experiência e momento de vida e cada indivíduo estará sujeito a uma maior variedade de demandas quanto maior é o desenvolvimento da personalidade. Ao longo de toda a vida, cada indivíduo vivencia alteração nas suas funções, habilidades, atributos e características. Entretanto, os aspectos estruturais, mais primitivos, relacionados aos alicerces e à identidade, estes sim permanecem.
A partir do segundo ano de vida, a criança passa a experimentar suas capacidades e começa a desenvolver o senso de potência. Serão anos de construção que possibilitarão a
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integração entre as vivências e fantasias de impotência em contraponto com onipotência. Inicialmente, em virtude da grande dissociação da mente da criança, ela oscilará entre esses dois polos quando submetida às situações reais e a integração destes somente será observada na criança a partir dos anos subsequentes ao terceiro ano de vida.
O estudos a respeito do conceito que cada um dos indivíduos tem de si, costumam envolver a avaliação da percepção de habilidades, atributos e características frente a domínios específicos, destacando-se: a aparência física, a competência acadêmica ou esportiva. O significado afetivo que essas habilidades, atributos e competências têm para o indivíduo costumam ser identificados como auto-estima, que se correlacionará diretamente ao autoconceito.
Exemplos podem ser extraídos do dia-a-dia, e o leitor, com certeza já observou situações de encontros e desencontros entre habilidades da criança em desenvolvimento e os desejos (conscientes ou inconscientes) seus e de seus pais ou responsáveis.
Em situações de encontro, ou seja, quando a expectativa da criança, dos pais e responsáveis vão de encontro às suas características, habilidades ou atributos, observa-se o desenvolvimento de um autoconceito e auto-estima positivos. Contudo, em situações de desencontro entre as partes, podem desenvolver-se um senso de autoconceito ou uma auto-estima negativos.
Pois bem, a maneira como essa percepção será vivenciada e introjetada, dependerá portanto da experiência vivida e daqueles alicerces de identidade mencionados anteriormente.
As variações são muitas, pois também entra nesse jogo de elementos, aspectos quantitativos e qualitativos desses desejos assim como das individualidades. Deve-se ter em mente os aspectos subjetivos envolvidos nos julgamentos, pois o que uma pessoa considera suficiente habilidade, outra pode considerar insuficiente...e assim, para cada um dos elementos envolvidos.
Pois bem, a maneira como essa percepção será vivenciada e introjetada, dependerá portanto da experiência vivida e daqueles alicerces de identidade mencionados anteriormente. Tentarei me explicar melhor: Uma criança habilidosa mas que tem, nas
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figuras parentais um nível de exigência muito elevado (o que pode ou não corresponder à realidade), pode vivenciar tanta ou mais frustração do que a criança não habilidosa. Digo mais: Se a criança não habilidosa em uma determinada área puder suportar sua limitação e esta vivência for acompanhada empaticamente pelas figuras parentais (reais ou internalizadas), é possivel que, elaborado o luto, ela possa encontrar outra habilidade na qual possa realisticamete se desenvolver, e não vivenciará prejuízo algum para sua auto-estima.
Portanto pode-se concluir que o aspecto central relativo ao autoconceito refere-se à adequação da percepção que o indivíduo desenvolve a respeito de si e sua capacidade em lidar com suas limitações e com seus reais recursos, aspectos relativos à capacidade egóica de discriminação.
Os estudos demonstram que as os instrumentos de avaliacão são sensíveis para diferenciar os grupos com escores de autoconceito significativamente inferiores nos grupos estudados quando comparados aos grupos controle. Estes estudos tem o grande mérito de sinalizarem a relação entre o autoconceito e as variáveis estudadas.
Contudo, sabe-se que na medida em que o autoconceito para uma determinada característica, habilidade ou atributo não é positiva, a motivacão também diminui para o investimento pessoal naquela área e as profecias auto-realizadoras são fortalecidas.
Todavia, ainda não é possível afirmar, a partir destes estudos, em que medida o autoconceito inferior nos grupos estudados é sinal de uma percepção adequada das dificuldades vivenciadas pelos sujeitos ou se as dificuldades são advindas do autoconceito menor que dos grupos controle. Contudo, sabe-se que na medida em que o autoconceito para uma determinada característica, habilidade ou atributo não é positiva, a motivacão também diminui para o investimento pessoal naquela área e as profecias auto-realizadoras são fortalecidas.
Medidas de intervencão parecem ser portanto de grande importância enquanto possibilidade de rompimento do ciclo negativo estabelecido, e quanto mais precoces, maiores as possibilidades de modificação em estruturas mais primitivas da personalidade, e
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para tal, o diagnóstico coloca-se como elemento central, seja este realizado através de escalas específicas, seja através de uma boa observacão clínica.
Assim, a divulgação dessas relações pode favorecer os encaminhamentos das crianças para ajuda profissional especializada que poderá atuar em nivel profilático ou interventivo, dependendo da situação.
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Recebido: 05/05/2008
Aceito: 04/06/2008